
Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.
Hoje, queria que meus roxos falassem. Hoje, queria respostas.
Fechava os olhos e cenas soltas vinham em pedaços. Eu ria de nervoso. ‘Eu fiz isso?.... Não, não posso ter feito .... Eu fiz!’ Vergonha, dúvida, confusão, culpa... nem sei, ao certo. Ainda está tudo misturado aqui dentro. Por isso eu estava tão inquieta, agitada.
Eu sei que aconteceu. Não fujo. Assumo: fui eu. Só falta o ‘como’ . Um emaranhado de flashes me confunde. Falta a sequência, certas partes não se encaixam. Ficaram sem continuação...
Como posso não saber? Extrapolei ? Despiroquei? Me perdi? Te machuquei? Tudo junto? Ahhhh... eu não sei !
Provei meu próprio veneno. Paguei a língua, com juros e correção. Aliás, é disso que preciso: correção. Sim, fiquei e ainda estou desconcertada. Admito, errei.
Só queria saber se .... ah, você sabe. Eu não sei. Você não vai falar tudo. E meu corpo se calou.
Só hoje entendo como essa sensação, sendo verdadeira, é ruim. Desgastante. Antes, eu não sabia.
Sabe, eu ainda quero acreditar nas pessoas, eu não quero me tornar uma pessoa fria que desconfia até da própria sombra, só de pensar me dá até fobia!